• Karoline Rodrigues

Futebol e cavalos

Mais semelhanças do que eu jamais imaginei.

Desde que eu e o Pedro ficamos noivos, que foi quando começamos a morar juntos em 2019, o Jogo Aberto virou parte da minha rotina. Fora isso, tem o comecinho dos Donos da Bola, e transmissão de jogos na televisão, rádio ou YouTube.

Eu não entendo nada de futebol, nunca fui muito afeiçoada pelo esporte. Mas quando se ouve todos os dias um pouquinho sobre, alguma coisa se absorve.

E me pego pensando nas semelhanças e analogias que podemos trazer do futebol para os cavalos, em especial os cavalos de esporte, e a vida do profissional do cavalo, como é o caso do meu pai e do meu marido.

Quem nunca ouviu essa música? “Palmeiras não tem Mundial. Não tem Copinha e não tem Mundial.”

Eis que agora Palmeiras tem Copinha. Hoje ele venceu o Santos por 4x0, com um craque no elenco: Endrick, de apenas 15 anos, revelação do clube e promessa para o futuro do time profissional nos próximos anos.

Logo começa o Mundial de Clubes da @FIFA, e o Palmeiras, campeão da Libertadores pelo segundo ano consecutivo, vai representar o Brasil e a América do Sul. Caso passe pelo vencedor entre Monterrey (México)e Al Ahly (Egito), o time avança para a final, e aí terá mais uma chance de enfim ter o seu Mundial.

Mesmo que ganhe, como disse o Denilson no programa de ontem, o brasileiro é criativo e logo vai inventar uma outra música!


  1. Não importa o quanto você já conquistou, o quão longe você chegou, o que construiu, sempre vão lembrar e zombar aquilo que você não tem. O Palmeiras é um dos maiores times do Estado e do Brasil, isso não se discute. Inúmeros títulos, um clube profissional, patrocinadores de peso. Mas o que viraliza mesmo, e é o que os adversários ressaltam, é o título que ele não tem. No cavalo, idem. O treinador pode ter décadas de carreira, vivido e sobrevivido do cavalo, construído a família com essa atividade, ganhado provas e títulos em níveis menores, mas se não ganhou o Potro do Futuro N4, sempre vai ter alguém para lembrar disso, criticar e subestimar.

  2. Profissionais jovens que mostram potencial se tornam sensação. Assim como o Endrick, sempre vemos um treinador jovem (ou não necessariamente jovem, mas “novo no pedaço”) despontar na pista. Ele mostra que tem talento, tem potencial, e de repente todas as atenções e expectativas estão voltados pra ele. Alguns conseguem conduzir muito bem a trajetória, com responsabilidade e constância. Outros se perdem no caminho com a pressão, a ambição e a falta de experiência.

  3. Não importa o quão bem ou mal o time jogue, mas se ele não ganha, a culta é de quem? Do técnico. É sempre o primeiro a ser demitido. No cavalo, acontece muito. Não importa se o cavalo anda bem ou mal, se ele não ganha a culpa é do treinador.

  4. Nem sempre ganha o melhor ou o favorito. Dentro do campo e da pista, tudo pode acontecer. Treino é treino, jogo é jogo, e prova é prova.

  5. A valorização decorre da performance e da vitória. Para um jogador ser valorizado, ele precisa ser colocado em jogo, jogar bem e idealmente ser campeão. E aqui falamos de valorização monetária mesmo, que os jogadores têm. Da mesma forma os cavalos, que para valerem mais, precisam estar em pista, mostrar performance, e ganhar.

  6. Existem problemas de regras em qualquer esporte. Lembro que um dia estava ouvindo no rádio a transmissão de um jogo pelo rádio na estrada, salvo engano do Campeonato Paulista, e os comentaristas falavam sobre a incoerência da regra da competição. Não me recordo exatamente, mas era algo relacionado aos times da mesma chave não jogarem entre si nas fases classificatórias e poderem se enfrentar na final. Nas provas equestres, também temos discussões sobre regulamento. Nem vou entrar no detalhe, são muitos tópicos. Insatisfações existem. As divergências são um fato.

  7. Atletas se machucam. Jogadores e cavalos são atletas. Seres vivos que colocam seus corpos a serviço de um esporte. Sujeitos a lesões, precisam de cuidados médicos, acompanhamento especializado, alimentação específica, rotina. Recuperações podem ser longas, o repouso pode ser imprescindível em alguns casos.

  8. Por fim, o meu preferido: arbitragem. Críticas, e mais críticas, que vão desde as decisões subjetivas que o juiz toma durante o jogo (faltas, pênaltis e impedimentos), até o que vai para análise do VAR. No cavalo, idem. O julgamento de prova de performance, ainda que balizada por critérios objetivos, é essencialmente subjetivo. O que é +1/2 pra um é 0 pra outro. Tanto que a variação de 69 a 71 é a mais comum e mais aceitável (um juiz falou sobre isso na transmissão da Reiner Stop do Invitational de 2021). A revisão é possível em alguns casos, mas nem sempre “resolve”, assim como o VAR. Em resumo, há divergências, polêmicas, erros. Todo mundo tem alguma reclamação ou ressalva. Sempre existiu e sempre vai existir.

Enquanto isso, Palmeiras não tem Mundial, e o Corinthians começou o Paulistão empatando com a Ferroviária. Boa noite!


*Atenção: este e todos os conteúdos publicados no Blog da Plus correspondem à opinião pessoal de sua autora, e não devem ser considerados como uma extensão de ou relacionados a clientes da Plusoneandahalf.

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