• Karoline Rodrigues

Trabalho em equipe para fazer o sonho dar certo

Mais e mais profissionais estão se unindo aos seus cônjuges para manter os negócios na família. Aprenda suas melhores práticas para manter o trabalho e a vida pessoal em equilíbrio.


Companheira #1: Laura Mae Schoeller

Quando Laura Mae Schoeller conheceu Robin Schoeller, os dois competiam um contra o outro na pista como profissionais. Na verdade, os dois cavaleiros também treinavam competidores jovens que tiveram um papel significativo em juntar os dois. No começo do relacionamento Laura continuou a competir na aberta, mas depois de ser diagnosticada com uma doença autoimune Laura conta que foi uma transição natural passar a ajudar o marido, que acabara de montar seu próprio negócio depois de trabalhar para o maior ganhador da NRHA Shawn Flarida.

“Eu trabalhava para o Ollie Griffith na época, e fui parando de dar aulas e montar” ela conta. “Quando o Robin começou o negócio dele, éramos só nós dois, então eu ajudava nas baias e cuidava da papelada também. Nós trabalhávamos tão duro para fazer tudo que precisava ser feito para chegar onde estamos hoje.”

Conforme o negócio de Robin cresceu e eles começaram a família, Laura conta que ela passou a ser demandada fora das baias mais no lado administrativo das coisas foi uma escolha fácil.

“Nós crescemos tanto desde então, e temos uma família. É um trabalho em tempo integral cuidar das crianças, do escritório e do marketing, para que o Robin possa focar em montar. Eu adoro esse lado do negócio e o fato de que eu e as crianças podemos estar ao lado dele. Já faz 10 anos que eu parei de correr e agora eu tenho um cartão de Non Pro pela primeira vez. Eu ainda não o usei, mas espero usar um dia.”

Companheira #2: Ginger Schmersal

Quando Ginger Schmersal montava com o NRHA Million Dollar Rider Randy Paul, ela não fazia ideia que o cara que veio trabalhar como assistente dele seria seu marido e sócio. Quando ela e Craig Schmersal, ganhador de quatro milhões de dólares pela NRHA, se casaram, dividir o negócio foi uma decisão fácil.

“Nunca foi algo que chegamos a discutir porque a minha formação era de negócios, e eu certamente não sou treinadora”, Ginger conta. “Eu não sou treinadora e ele não é uma pessoa de negócios.”

Para Ginger, isso significa que ela administra tudo que não implica em treinar um cavalo. “Meu objetivo é manter o Craig na pista fazendo o que ele faz melhor, e eu lido basicamente com todo o resto”, diz ela.

“Para quem pensa em tocar o negócio juntos, a coisa mais importante é ter tarefas definidas. Assim, seus clientes com quem falar e todos sabem como funciona. Eu vejo m muitas vezes, como no início da nossa carreira, se os clientes tinham alguma questão, eles vinham falar comigo. Mas sempre foi assim desde o começo: se for uma questão sobre o cavalo, você fala com o Craig; se for uma questão sobre cobrança, você fala comigo. Nós sempre respeitamos o espaço um do outro. Eu não falo com eles sobre o treinamento, e ele não fala com eles sobre dinheiro. Cada um de nós tem o seu papel e as linhas são bem claras sobre quem faz o que. Eu acho que é por isso que funciona para nós. Nós não cruzamos a linha do outro.”

Companheira #3: Michele Flarida

Com uma família cheia de cavaleiros agora, você não acreditaria que a primeira vez que Michele Flarida viu um cavalo ao vivo foi no seu primeiro encontro com Shawn. O casal se conheceu no ensino médio, Shawn era amigo da irmã de Michele. Enquanto Shawn começou seu centro de treinamento aos 18 anos, Michele foi fazer faculdade na Universidade de Miami em Oxford, Ohio. Depois de alguns anos trabalhando na Procter & Gambler e seis meses depois de ter seu primeiro filho, Cody, os Flaridas decidiram que era o momento de ter seu próprio lugar e seu próprio negócio.

Michele admite que aprender a administrar um centro de treinamento foi em grande parte batismo de fogo, mas não a desviou do seu caminho. “Nós só fizemos dar certo”, ela conta.

“Eu cuido dos clientes, dos preparativos de viagem para o Shawn, inscrições de provas. Cuido da cobrança, agendamento de ferreiro e veterinário, e tudo mais que diz respeito às finanças para que o Shawn possa focar em montar e apresentar os cavalos.”

Claro que a família, incluindo a filha Courtney e o filho mais novo Sam, teve que passar por uma adaptação quando Michele foi diagnosticada com câncer de mama há quatro anos. Shawn reduziu viagens e provas; no entanto, Michele estava determinada a não deixar o câncer mudar o rumo dos negócios. “Nós decidimos que não chegaríamos ao ponto de não seguirmos adiante - não poderia ser desse jeito e não deixaríamos isso acontecer.”



Papel #1: Administrar a família

Laura é mãe de duas crianças turbulentas, e Luca (6 meses) e Janna (6 anos) tomam muito do seu tempo e foco enquanto ela também equilibra com os negócios.

“Você acaba ficando criativa quando precisa fazer o serviço de papelada. Eu tento fazer o que eu posso depois que as crianças dormem à noite ou antes delas acordarem de manhã. Eu faço meu serviço e ainda tenho tempo para dar a eles o foco e atenção que eles precisam e merecem.”

Laura também conta que a ajuda extra dos pais é crucial agora com as crianças. Em 2016, Regina, a mãe de Robin, se mudou para os Estados Unidos para estar mais perto deles e ajudar com Janna e Luca.

“Quando compramos a fazenda em 2017, a casa tinha um porão totalmente terminado, então é praticamente um apartamento só da Regina no andar de baixo. Assim, quando eu preciso de ajuda com as crianças, ela está sempre lá”, Laura explica. “Eu nem consigo explicar o quanto ela ajuda. As crianças amam, e nós também. Meus pais também ajudam bastante com as crianças nas provas. Ter esse tipo de apoio da Regina e dos meus pais realmente torna o trabalho muito melhor agora, especialmente com Luca tão novinho.”

Ginger lembra que administrar o centro de treinamento enquanto criava seus quatro filhos (Chris, Nick, Brendyn e Addy) era caótico. “Eu acho que eu nunca equilibrei bem os dois (ser mãe e administrar o negócio)”, ela ri.

Ela admite que às vezes alguém ou alguma coisa sofria. “Um dia eram os negócios, no outro Craig e talvez as crianças ou eu, mas você só tenta compensar no dia seguinte. Todos os dias não são perfeitos, e você tem que fazer o melhor possível e estar ok com isso.”

Papel #2: Administrar o escritório

Os horários de Laura são mais flexíveis do que se ela trabalhasse em tempo integral em outro lugar, o que é perfeito para ter tempo para suas crianças. Ela usa o Quick Books para ajudar com as contas e cobranças.

“Robin e eu montamos uma planilha, e todo dia ele a preenche”, ela conta. “Assim eu sei se um cavalo não se sentiu bem e um veterinário veio e cuidou dele, ou um ferreiro veio pregar uma ferradura. Ele é incrível em em manter tudo registrado, e isso ajuda Robin e eu a trabalhar bem juntos. Ele se certifica que eu saiba de tudo que está acontecendo, e assim eu posso fazer meu trabalho com facilidade sem precisar ficar perguntando ou tentando descobrir o que aconteceu.”

Crescer como uma menina que amava os cavalos e fazer disso uma carreira e uma paixão foi uma coisa positiva para Ginger. “Eu amo a indústria do cavalo. Eu amo os cavalos, e sou uma pessoa que lida bem com pessoas, então eu gosto de todos os aspectos do nosso negócio. O lado negativo, eu não sei exatamente se existe um lado negativo, mas seria que é sempre difícil sair. Nós dois somos cruciais para o negócio, nós somos o negócio, então essa é a parte difícil, tentar sair e fazer algo não relacionado a cavalo. Às vezes pode ser bem difícil.”

Papel #3: Administrar a aposentadoria

Recentemente, os Schoellers expandiram os negócios de apenas treinamento para também uma operação de reprodução, alojando o garanhão Tinseltown Flash, também conhecido como Mr. T, que é de uma cliente antiga, Beth Himes. Quando Robin e Beth queriam começar a usar Mr. T como garanhão, os Schoellers estava procurando um lugar novo e souberam ver na reprodução uma parte dos negócios. Parecia o acompanhamento perfeito para o modelo de negócio.

“Nós sabemos que acidentes acontecem na indústria do cavalo”, diz Laura. Em 2016, Robin sofreu uma fratura na bacia quando um cavalo virou de costas com ele. “Robin ficou fora de combate por cinco semanas e meia. Nós demos muita sorte, e ao mesmo tempo isso abriu nossos olhos para ‘o que acontece se ele se machucar e não puder treinar cavalos?’”

Ginger concorda que a vida depois que se começa a treinar não é uma opção viável, mas sim uma grande preocupação. “Craig tem validade. Todos esses treinadores tem, e você é bobo se achar que eles não têm. Desde o início eu tenho planejado a aposentadoria dele. Se ele se machucar, essa aposentaria pode ser amanhã. Eu sempre fui muito cuidadosa em como investir e administrar nosso dinheiro, e comprei imóveis e ranchos ao longo dos anos, o que tem sido bom para nós financeiramente.”

Os Flaridas também usam uma consultor financeiro, que coincidentemente é um cliente e amigo. “Ele nos aconselhou a pegar um pouco do dinheiro que tínhamos guardado e colocá-lo num lugar seguro para as crianças e a faculdade. Isso é uma coisa muito importante para mim e o Shawn: não queremos que as crianças tenham que pagar pela faculdade porque nós trabalhamos duro para poder dar isso para eles. Nós abrimos uma conta para podermos levar as crianças aonde quer que eles queiram ir.”

Michelle diz que sente um pouco pelos treinadores jovens que estão começando agora, porque ela sabe que o negócio é muito mais difícil hoje do que era há 20 anos. “Este não é um jeito fácil de sobreviver em qualquer aspecto. E eu acho que é mais difícil começar hoje do que quando nós começamos.”

Papel #4: Administrar a vida pessoal

Tempo para si mesma e com o seu parceiro conjugal é importante para manter a sanidade e manter o relacionamento, mas para treinadores e seus cônjuges isso pode ser difícil de conseguir.

“Eu tenho certeza de que qualquer pessoa da indústria vai dizer que é algo difícil de conseguir e de equilibrar. Verdade seja dita, Robin e eu ainda não tivemos lua de mel.”, Laura admite. “Eu acredito que é preciso uma determinada pessoa para ser o cônjuge de um treinador. Como eu já estive no lugar dele antes, ainda que não no nível dele, eu entendo e amo essa vida tanto quanto ele.”

Laura aprendeu a apreciar os momentos mais simples de estar junto como família e como casal. “Até quando estamos trabalhando, nós conseguimos passar tempo juntos, e nós dois gostamos muito disso.”

Os Schmersal tiram um dia da semana para sair do rancho em Scottsdale, Arizona. “Nós temos nossa noite de quinta-feira. Fazemos isso há anos, e as crianças gostam porque eles podem comer o que eles quiserem e fazer bagunça quando não estamos em casa. Isso nos dá tempo de falar sobre qualquer coisa, não necessariamente coisas de cavalo, mas a tendência e acabar falando disso.”

Papel #5: Administrar conflitos

Maridos e esposas trabalhando juntos pode dar problemas. Mas essas três mulheres concordam que é importante estabelecer limites muito claros de qual lado do negócio cabe a cada um.

Laura diz que “estaria mentindo se eu dissesse que nunca discordamos. Eu não acho que temos muitas frustrações porque muitas das vezes nós tentamos trocar ideias. Então se não chegamos a uma decisão comum, eu sou a primeira a dizer para rezar e dormir para pensar mais sobre isso. Nós conversamos e decidimos o que nós dois achamos ser a solução mais prática e adequada para qualquer que seja a situação.”

Ginger reitera “nós temos nossos limites: eu gerencio o dinheiro e ele os cavalos. Se ele quer vender um cavalo e eu não, ele ganha. Se eu disser não para algo de dinheiro, então eu ganho. E ele respeita isso porque ele sabe que eu o coloquei numa posição em que ele poderá ser aposentar de modo confortável, mas você precisa ter disciplina para fazer isso. E é difícil ter disciplina.”

Michele aconselha que uma das melhores formas de administrar conflitos é ter certeza de que os dois estão na mesma página no que diz respeito aos negócios. Colocar os planos no papel e ter uma comunicação aberta ajudou ela e Shawn a serem bem sucedidos por duas décadas.

“Sentar, pensar no negócio e escrever seus planos e objetivos, e as medidas que vocês acham que precisarão tomar para alcançar esses objetivos”, Michele ensina. “Então compare-os. Nós escrevemos os nossos separados e depois comparamos. Nós focamos no que pensamos igual, e trabalhamos a partir disso. Às vezes você tem que deixar de lado o que vocês discordam para poder trabalhar juntos no que vocês têm em comum.”

*Megan Arszman para NRHA Pro Trainer Fall 2019

*Tradução e foto de Karoline Rodrigues

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